Substância da Madrugada

Soneto Inglês No. 1

“Quando a morte cerrar meus olhos duros
– Duros de tantos vãos padecimentos,
Que pensarão teus peitos imaturos
Da minha dor de todos os momentos?
Vejo-te agora alheia, e tão distante:
Mais que distante – isenta. E bem prevejo,
Desde já bem prevejo o exato instante
Em que de outro será não teu desejo,
Que o não terás, porém teu abandono,
Tua nudez! Um dia hei de ir embora
Adormecer no derradeiro sono.
Um dia chorarás… Que importa? Chora.

Então eu sentirei muito mais perto
De mim feliz, teu coração incerto.

(BANDEIRA, M.; Estrela da Vida Inteira)

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2 comentários
  1. LM disse:

    Pobres de nós, lançando cartas de amor falido pela madrugada…

  2. Igor disse:

    Auto-ironia:

    “Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
    Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!”

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