Da minha recente conversão

1.

Sim, amigos!, – irmãos, por que não?! – atingiu-me a luz divinal da crença Nele. Sinto, finalmente, que irrompe a aurora de minha vida, batizada nas aleluias angelicais que vibram no ar. Sim, só agora vivo realmente, porque reconheci que, sim, sou carne e alma, e só tenho um Senhor. Ah!, os tempos de lascívia e crueldade ateia, de desmesura, de maldade verdadeira… Sinto-os arder tal chaga de Cristo, enchem-me o espírito de vergonha e horror. Só porque Deus é Amor – haja Amor! – que sinto-me confiante nessa nova-velha doutrina: sim, não devo temer porque, pecador, me arrependo e beijo-Lhe os metafóricos pés; e, sim, Ele, em sua infinita Bondade há de me perdoar e acolher-me ao Seu reino celeste, onde regojizarei em meio ao rebanho de fiéis ovelhas, de felizes ovelhas!

Houve um tempo – e hoje vejo isso com a clareza e distinção digna dos céus – em que eu fui acometido por um sem número de calúnias, de mentiras desalmadas que visam tão somente a corrupção do espírito. A midiática ditadura que contamina a família brasileira em seu próprio seio… Os levantes homossexuais, abortistas, assassínos, pedófilos, ateus e, por que não?, bobocas! Mas a Palavra me ensinou a amar: amo infinitamente todos esses que compõe esses verdadeiros panteões diabólicos. Amo-os, sim, e por isso desejo apenas seu melhor: que o gay se regenere e venha a constituir uma família saudável… Brasileira! Que possa transmitir algo que não devassidão, que tenha seus filhos e sua mulher, e que tenha, também, acima de tudo o Deus pai, que o ama também. Que o ateu volte as costas para esse absurdo que é negar o evidente Pai celestial, e componha, também, uma família de servos do Senhor: que todos se deem as mãos e bradem juntos: “Hosanna! Hosanna!“.

2.

A política… Ah, a César o que é de César. Mas, convenhamos, a fome, a doença, a miséria, não são testes de nosso Regente Divino? Não são necessárias as dores para purificar o homem? Ora, é claro que são! E acrescento: pouco convém ao portador da Santíssima Fé se ocupar com tais bobagens; em verdade digo: deveria ser abolido esse tipo de debate, coisa pagã e pouco valorosa para os virtuosos de espírito, que prescindem o pão material, porque alimentam-se de pão celestial. Basta dessa ditadura estatal: absurdamente querem impor ao fiel saúde, “educação” – entre aspas porque o que é a educação senão a doutrina dos Santos Padres, que obviamente sequer é pensada no currículo demoníaco dessas escolas – etc., etc. É mister que destruamos o Estado! Prescindimos dos agentes coercitivos: quando todos os homens tiverem aceito a Cruz e a Salvação viveremos em harmonia plena; questões que dizem-se “políticas”, tais como o assassínio que é o aborto, sequer serão discutidas: o “sexo” – que hoje é lascívia e sodomia que perverte e deforma a tradição – será praticado apenas após a instituição do Sagrado Matrimônio. Reinstituição, na verdade, porque a falência desse pacto sob a Égide Divinal está constatada; hoje em dias jovens “ficam” sem saber as consequências desse ato terrível e libidinoso. No futuro, quando a Doutrina estiver cuidadosamente apregoada do Oiapoque ao Chuí, as relações conjugais serão cristãs.

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5 comentários
  1. Guilherme disse:

    WESLIAN 20! SERRA 45!

    • Igor disse:

      De fato. Mas estou no aguardo do outro comentário. /asso

      (Coloca o link do blog aí no seu nome.)

  2. LM disse:

    Religião não é isso que você pensa, karamazovinho.

  3. LM disse:

    (É óbvio que não se pode ter essa conversa por comentário de blog, mas eu imagino que você esperasse algum comentário nesse tom e nesse sentido, então satisfaço sua vontade.)

  4. Igor disse:

    Não esperava, não. É que tem me comovido o moralismo d’alguns em tempos de debates públicos – isso aqui é só uma forma de expressar minha indignação. E minhas fontes são os próprios religiosos, fonte muito fidedigna, penso eu. Em tempo, não sei porquê não é, se vocês se perderam por tantos posts discutindo Deus no outro blog. Mas fale comigo por MSN, qualquer dia, então, se quiser me trazer à luz.

    (Você pode falar do amor de Cristo etc. etc. etc., mas não é isso que dizem os crentes, nem os padres, nem a igreja, nem a Bíblia. E é muito, muito fácil achar exemplos que corroboram as minhas teses. Não pretendo o papel de Dawkings, o chato-mor, não pretendo negar “espiritualidade” ou coisa que o valha; mas é só que tudo isso é inviável – essa discussão toda é anacrônica e nem devia tomar o nosso tempo.)

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