Substância da Madrugada

A vigília, na madrugada, é desespero;
angústia cristalizada
nas horas que a compõe.
O terror do infinito espreita quem não sucumbiu ao ocaso.

Poderá a luz, que se pressente,
levar para longe o séquito de terríveis demônios
que teimam em não me deixar?

Ignoro o futuro – o relógio bate ritmado,
mas o tempo é estático. Extático.
Os olhos fundos refletem o abismo, que contempla de volta.
Estarei fitando o abismo, ou o abismo é que olha a mim?

Anseio pelo fim do suplício.
Rastejo pelo chão e não encontro salvação possível.
Outros idolatram suas figuras de Terracota,
já não me resta mais nada senão o silêncio.
O dia não mais vem – a madrugada é uma metáfora do eterno.

Enfim, fuga: morro.
Ressuscitarei, talvez.
A aurora, avatar da fênix, irrompeu, rasgando a capa de medo da noite.

Anúncios
1 comentário
  1. Primrose disse:

    Um abraço Fagocitário para você!
    Assim, pelo menos, a angústia fica recheada de calorzinho.
    :]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: