Confessiones

Pensando, relendo meus textos, conversando e ouvindo outros, me ocorreu algo que não tinha pensado sobre meus textos e esse blog. É que de certo modo, me parece que talvez eles falem mais sobre mim do que sobre os assuntos que se propõe a falar. Claro, toda obra é um pouco autobiográfica; acho que as grandes obras são aquelas em que as dores do autor se confundem com os anseios da própria humanidade.

Tendo constatado isso, por um momento considerei subverter a ordem de comentários sobre assuntos e tornar este espaço mais pessoal. Essa consideração foi breve e logo depois a descartei. Acho que não me sinto disposto a publicar angústias muito íntimas para quem quiser vê-las. É um conteúdo muito valioso e delicado, e me sentiria irremediavelmente exposto fazendo-o. É em parte por isso que eu não mantenho perfis em redes sociais. Poderia também mascarar essas coisas sobre metáforas cruas, fazendo fábulas de meus tormentos. Mas rejeito isto porque essas máscaras são sempre tolas e não tem muito valor, me parecem só formas de esconder o que se sente em forma de (má) literatura. Freudianamente isto estaria errado, já que toda arte – a má e a boa – é sublimação de desejos reprimidos. Não sei se concordo com Freud nesse quesito.

Enfim, o propósito desse post é só externar essa constatação, de modo a me purgar desse demônio que vinha me atormentando: o de ver minha face em todos os quadros que pinto. Até mesmo nas naturezas mortas.

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3 comentários
  1. Primrose disse:

    Uma das coisas que mais me dá prazer em ler o que você escreve é que fico vendo o Igor e o “não Igor” o tempo todo presente nas palavras. E é bom ter esse mistério dentro dos teus textos. =)

    Agora, sendo chata e usando meu conhecimento mínimo sobre Freud: A Sublimação é uma maneira não conflitiva de lidar com as pulsões e desejos recalcados (e não reprimidos pois este se refere apenas a repressão social) e é, para Freud, a forma mais harmônica possível de se relacionar com os ‘seres’ contraditórios que ‘vivem’ dentro de cada mente humana.

    • Igor disse:

      Ops, confusão terminológica. Mas era isso que eu (acho) estava tentando aludir: o recalque que vira a arte. Mas então a arte é só isso, recalque? Não sei, a mim isso não me parece esgotar a questão.

  2. ah, tem um texto bom do Pessoa sobre isso, aqui no blog.

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