Pequena Reflexão Sobre a Morte

Foi numa dessas festas estranhas de família, dessas cheias de gente esnobe num apartamento meio luxuoso onde se toma Amarula enquanto se belisca pequenas torradinhas com queijo brie. Na televisão passava, com o som bem baixo, evidentemente, um show qualquer, na Inglaterra. Show em comemoração a qualquer coisa da família real inglesa, cheio de artistas pop consagrados. Lá as pessoas se organizavam como peças de Tetris, sentadas em blocos, cortados por corredores para facilitar qualquer eventual circulação. Todas, sem exceção, estavam comportadas nas cadeiras.

Então alguém da festa comentou algo sobre a eminente civilidade dos ingleses, inatingível para o atrasado povo dos trópicos, do carnaval e do futebol. Seguiram-se murmúrios de concórdia e lamentos pela triste localização geográfica-temporal de seus nascimentos. Estava claro que todos naquele distinto círculo deveriam ter nascido lordes ingleses, não herdeiros e burgueses brasileiros.

Só eu – acho – que fiquei muito triste também com o vídeo, mas por outro motivo. Aquele monte de gente ali assistindo ao show tinha tão pouca vida que eu arriscaria dizer que já tinham morrido. Talvez tivessem: é sabido que a morte nos trás boas maneiras.

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