Biutiful is not


Biutiful, do diretor Alejandro González Iñárritu, não é um grande filme. Ele tem dividido opiniões: aqueles que amam e os que odeiam (porque achar um filme desse naipe mediano é odiá-lo, para alguns). Eu tento me posicionar entre os dois grupos, mas admito que tendo mais para o segundo. Explico:

Em Biutiful assistimos a tragédia de um trambiqueiro espanhol que se vê, de repente, portador de um câncer incurável e que o deixou em estado terminal. Ele não tem dois meses de vida. Além de tudo, Uxbal é pai solteiro de dois filhos e médium. O problema do filme é justamente esse: ao pintar a tragédia pessoal de um homem, o diretor optou por tentar ligá-la a todos os tipos de problemas sociais, morais e religiosos possíveis, o que torna a somatória um sopão insosso e, sobretudo, raso. O homem trabalha com imigrantes ilegais, que são presos; trabalha com chineses semi-escravos chefiados por um casal, também de chineses, homossexual; sua (ex)mulher é drogada, bipolar e mantém relações com seu irmão; seus filhos possuem diversos problemas, principalmente o mais novo etc. Não bastasse isso, cada cenário é capturado com a maior repulsividade possível; a fotografia faria inveja a qualquer escritor naturalista de nome. A opção estética chega a beirar obsessão quando se repetem incessantemente takes de Uxbal indo ao banheiro urinar sangue.

Nessa miríade de tristeza, que beira o absurdo, falta o desenvolvimento de qualquer um dos dramas. A mulher aparece pouco, e não se sabe nenhuma de suas motivações; os chineses são robôs sonâmbulos sem personalidade e os chefes, os homossexuais, são inexpressivos; os africanos aparecem em torno de três vezes, e suas falas são quase nulas. A impressão que fica é que, ao tentar fazer uma verdadeira enciclopédia da dor, o diretor acabou criando uma série de relatos vagos que se parecem mais como sinopses. As temáticas são todas interessantíssimas, mas incorrem no mesmo defeito de serem, enfim, apenas sinopses.

Se há, e há, algo de muito positivo, e a belíssima autação de Bardem, o Uxbal, que incorporou as dores do personagem com muita habilidade. O que se vê, realmente, é um homem que transpira agonia, e que busca uma redenção. Talvez, esta tenha sido um tanto forçada, ao final do filme: um encontro com o pai, exilado que morreu aos 20 anos, de tuberculose, no além-mundo.

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