Duas teses

Tese nº1

A poesia é a desbanalização do banal; é tornar inaudito um fato trivial (e todo fato é trivial, bem como inaudito). Neste sentido, a linguagem que substitui o filtro cinza por matizes coloridos é sempre poética, ao contrário da meramente descritiva, monótona.

Mas a linguagem meramente descritiva não existe, e toda expressão é contaminada pelo lirismo. Assim: toda fala é musical; todo texto, lírico; todo andar, uma dança.

Tese nº2

Chama-se Deus o conjunto estrutural de princípios, supostos imutáveis, aos quais não é possível desobedecer.

O deôntico, o dever ser, e tudo o que este abarca – as artes, a moral, a política etc. – chama-se Homem. Este, ainda que forçosamente submetido ao Deus ignoto, afirma-se unicamente por sua liberdade; é a única instância verdadeira criadora: de si.

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4 comentários
  1. gabriel disse:

    Coloquei sua primeira tese como epígrafe da Ópera.

    • Igor disse:

      Vish! Epígrafe de um livro completo! Estou honrado.

  2. Primrose disse:

    Não entendi nada! hahah
    Me explica?!
    Ou não tem explicação?

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