Corpo e Alma

Tradicionalmente, a existência é dividida analiticamente em dois: o plano material e o espiritual. O segundo nada, ou bem pouco, tem a ver com as doutrinas espíritas que ganham força pelos dias que vão. A divisão já é tão arraigada que, sem que se perceba, estende suas consequências pelos mínimos detalhes da vida cotidiana. Depois de séculos de academicismo, cristianismo e algo como um racional-cientificismo, julgamos conhecer melhor a natureza das coisas; na verdade, talvez só tenhamos desaprendido a senti-las.

“A Single Man”, traduzido, horrivelmente, como “Direito de Amar”, fala, entre várias coisas, sobre isso. O plano trágico do filme orbita ao redor de um professor universitário que, por 16 anos com um companheiro, encara o mundo cinzento depois de sua morte. Cinzento, literalmente, porque a falta de vontade de continuar a viver do protagonista realmente acaba com os matizes coloridos do seu entorno: torna tudo em preto, branco, cinza. Conforme o tempo passa, pequenos relances de cor reativam a vida: uma criança, um flerte, uma memória. Não existe uma materialidade subsistente como, tampouco, um espírito auto-suficiente. A vida, parece sentenciar, se situa na confluência destes dois que são, na verdade, um só.

***

Parece-me muito sintomático – e problemático! – que os atletas não sejam intelectuais, e vice-versa. Essa dicotomia arcaica será superada no dia em que nossos professores de lógica dançarem e nossos jogadores de futebol se tornarem poetas.

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5 comentários
  1. Primrose disse:

    Hahaha! Ri muito com a imagem que me veio de um professor de filosofia dançando!
    Acho que todos tem a possibilidade de dançar ou escrever mesmo tendo direcionado sua vida na direção “oposta”.
    Você, por exemplo, joga handebol e é filósofo! e nas horas vagas dança valsa com a Irene ;D
    Hahahaha

    Adorei o filme. O próximo será Billy Eliot?

    • Igor disse:

      De lógica! É ate pior… haha Filósofos são dançarinos por excelência, inclusive, Nietzhsce disse (parece que disse): Só acredito num deus que saiba dançar. Bom, ele era bem crítico disso tudo, também, desse academicismo. Dizia que os filósofos até então não tinham se aproximado muito da verdade porque ela era uma mulher – e de que poderiam entender de mulheres eles? 😛

      Mas a ideia era essa: não entendo porque são opostos, o “mental” e o “corporal”. Acho que é tudo uma coisa só.

      Sim! Ou José e Pilar, se der pra ir no cinema antes.. hahah =D

  2. kiko disse:

    Você acha que essa diferença tem a ver com a treta CA’s x atléticas?

    • Igor disse:

      Não, mas o contrário sim. Pode parecer brincadeira e tal, mas o fato dessa treta existir é uma confirmação do que falei.

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