Uma Descrição Psico-Lírica da Exploração

Quando vejo um lugar pela primeira vez ele é, invariavelmente, enorme. O hábito diminui as coisas, as comprime em um espaço cada vez menor; a familiaridade reduz o tamanho do mundo.

Grandeza e pequeneza são valores relativos. Nunca se é grande em absoluto, mas tão somente em relação a alguma coisa, ou alguma ideia de coisa. Algo enorme é algo que imaginamos que ofereça um sem número de possibilidades; uma casa enorme é simplesmente uma casa inexplorada, que nos permite uma exploração quase infinita. Quando conhecemos bem algo, esse se torna pequeno porque não há mais possibilidades há serem testadas, caminhos a percorrer, cores para olhar. Traçamos um esquema mental do que julgamos ser o essencial àquilo e, tudo o mais, são apenas acidentes, pequenas coisas que não modificam substancialmente nada.

Julgamos, todos, que o universo é grande porque sabemos a impossibilidade de o conhecermos bem algum dia.

A vida é sempre pequena, porque finita. Vivessem as pessoas o dobro ou a metade do tempo que vivem e a vida continuaria da mesma forma: pequena. A grandeza traz em si aquela ideia de infinitude da exploração; ideia incompatível com a vida que, seja lá quanto dure, tem data de validade.

As lembranças de criança nos falam sempre dos lugares maiores do que eles “são” (quando os vemos enquanto adultos). É um erro, no entanto, achar que isso corresponde a um tamanho físico, diminuto, da criança. Tem mais a ver com a forma de seu olhar. O olhar da criança capta no mundo um sem número de possibilidades, a causalidade mágica torna todo ambiente grande, porque todo ambiente pode protagonizar os mais incríveis fatos, porque cada fresta pode conter os mais inimagináveis segredos. A criança se julga pequena, em comparação ao mundo, não porque o seja; pelo contrário: a criança se julga pequena porque, de fato, é enorme em seu interior – em sua vontade de vivenciar e conhecer -.

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9 comentários
  1. LM disse:

    Oi? Como vai esse moço? Vim aqui ver se ainda vivia.

    Vive?

    • Igor disse:

      Oi? :O

      O moço? Vive sim, embora ande meio zumbi, com coisas demais pra fazer, às vezes. E a moça, vive?

  2. LM disse:

    Vivo… Muita vida interior e pouco movimento físico. Momento tão revolucionário quanto contemplativo, tão apaixonado quanto melancólico.

    E desencontros.

    Day e Rafa se mudaram lá de perto da USP; eu não tenho mais motivo para ficar lá às tardes, e de todo modo só tenho aula na quinta.

    Me passa o link do perfil secreto que você certamente tem no facebook! 😀

    • Igor disse:

      Ih, isso aí de vida interior.. Sei não. hahah 😛

      Não tenho perfil no facebook, nem mesmo fake! Mas, caso queira, adicione aí o novo msn (o outro foi bloqueado por enviar víruas às pessoas) – igor zero csc @ gmail…
      (o zero é o digito zero). Hasta luego.

  3. É um dos melhores (senão o melhor) textos do seu blog. Por um momento me senti pequeno =)

    • Igor disse:

      Valeu! Gostei muito de escrevê-lo. 😀

  4. Primrose disse:

    Meu comentário deveria ter sido primeiro:

    “Posso guardar esse texto pro resto da minha pequena vida?”

    Me emocionei muito com esse daí.

    • Igor disse:

      Pode mas, de preferência, me guarda junto também, tá? ❤

      hahah =)

      • Primrose disse:

        Melhor não me confessar aqui em público se não vou te constranger muito. Hahaha

        Mas não duvide: eu te guardarei sempre.

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