Rapidinhas

Acabo de ler um perfil de Antônio Carlos de Almeida Castro, “o Kakay”, advogado de poderosos\políticos, públicado na Piauí desse mês (novembro). A imagem do homem é uma variação do tema do conquistador, do homem genial e genioso que tem o dom do comando e dono de olhos que atiram faíscas. É, mais ou menos, um Napoleão em menor escala. Um Julien Sorel bem sucedido. Talvez seja válido inferir que a história conserve essa metáfora, variando-a nas cores, mas não na substância.

Quando, recentemente, o bilionário Steve Jobs morreu, uma onda de (falsa) comoção povoou a internet, os periódicos, os papos de bar etcétera. A figura de Jobs – independente, irresoluto, arrogante e bem sucedido – também é uma variação do tema. A comoção que sua morte causa talvez seja o indicativo de que, para algumas gerações, ele foi o Napoleão. O curioso de tudo isso é ver como os escrúpulos morais\éticos passam ao larga da discussão. Se não-tão-legal Bill Gates se tornou conhecido, em certa medida, por sua dedicação à filantropia, Jobs não abria mão de centavos de sua fortuna. Não que filantropia seja sinônimo de moral ilibada, mas tudo isso é sintomático.

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Ryonosuke Akutagawa não é um autor muito popular no âmbito nacional; mais conhecido é a adaptação de um de seus contos pelo conterrâneo Akira Kurosawa: Rashomon. Apesar disso, sua qualidade contraria sua fama: seus contos são um misto de realismo com toques fantásticos, perpassados, ao mesmo tempo, por um lirismo (sobretudo pessimista) e por uma contundente crítica social. Isso em uma atmosfera oriental, seja do Japão pós-ocidentalização, seja do Japão feudal, com sua mitologia própria. Escreverei algo mais substancial sobre ele em breve.

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A Pele que Habito (Almodóvar) é um conto macabro recheado de humor negro; uma espécie de encontro de Edgar Allan Poe com melodrama espanhol com um quê de angústia existencialista. Também tem algo de Kaufman (sobretudo Quero Ser John Malkovich). Resenha mais completa depois.

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3 comentários
  1. Achei legal a comparação entre Sorel, Napoleão, Jobs, Kakay e Gates. Levaria a comparação para abstrações: tanto para o ‘homem niilista’, que cria a si mesmo na medida em que destrói a tudo, quanto aos exemplos de sucesso do capitalismo. Quais as semelhanças e diferenças entre um tipo abstrato e outro?
    E também um texto simples, porém interessante que pode muito bem ser lido como uma reflexão sobre tudo isso, não sei se já leu: http://blogs.estadao.com.br/antonio-prata/a-barriga-do-ronaldo/

  2. PS: apenas quis incitá-lo para prometer escrever mais sobre esse ponto também.
    (dos outros não falo, esperando o prometido para iniciar uma conversa)

    • Igor disse:

      Estava terminando trabalhos. Agora posso escrevê-los, se a preguiça e a inércia me permitirem! hahah

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