Crônicas da FeFelândia nº1 – Deliberações

Em um universo paralelo, conhecido por FeFelândia, os habitantes cunharam um curioso método de decidir impasses. Era assim: decidia-se por votação associar a proposta X à “cara” de uma moeda; à coroa, associava-se a proposta Y. Jogava-se a moeda e a disputa estava resolvida.

O senhor J. julgava esse método ineficiente, visto que certamente o mais correto era atribuir-se cada proposta a um atributo numérico (a proposta X ao conjunto dos pares; a Y, ao dos ímpares), depois dois dados seriam jogados e a soma dos algarismos determinaria a proposta vencedora. O senhor J., então, jogou os dados em praça pública, para provar que sua versão era a melhor. Mas os senhores A., B. e C., partidários do método monetário, chamaram-no de irredutível. Ora, que tivesse opiniões distintas! Mas para tê-las teria, como todo bom cidadão de FeFelândia, submeter seu posicionamento ao julgo das moedas. O problema é que as moedas, para o senhor J., eram exatamente o problema; seria um contra-senso usá-las. E, assim, terminou-se a contenda: os senhores A., B. e C. monopolizando as discussões na praça central e o senhor J. ministrando suas sessões de dadologia (como se chamou) em seu apartamento privado.

(Nesta história não entra o catedrático Ca. O catedrático Ca., como o senhor J., era contra as moedas. Diferentemente do senhor J., no entanto, comprou uma espingarda e atirou de um telhado em algumas pessoas que estavam na praça, sendo preso depois. Dizem que, na prisão, passava os dias a repetir aforismas para si.)

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