Jon Hassell

Para a música, é comum estar mais próxima da literatura do que da pintura. O espaço da música é o tempo; as notas, isoladas no instante, ganham sentido na medida em que são precedidas e prosseguidas por outras, compondo uma narrativa. Ter a forma de narrativa não significa poder ser traduzível em palavras, mas ter acontecimentos que ganham sentido nesse fluxo do tempo, que parecem levar a “algo”.

O interessante da música do saxofonista americano Jon Hassell é subverter essa ordem, tornando a música espacial. Ouvindo-o tocar, não consigo intuir uma história com começo, meio e fim; antes, os sons parecem representar objetos emergindo em um cenário. No começo de cada música, já se tem toda ela: no sentido de que todo o ambiente já está ali. O que acontece é uma lenta exploração de cada parte, uma detalhada observação das possibilidades de cada fresta do solo, de cada folha.

P.S. Meu conhecimento técnico de música é zero, esse texto é mais uma notinha sobre uma impressão completamente subjetiva a um show. Não pretendo nada além disso.

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3 comentários
    • Igor disse:

      Murakami: ainda não li.

      (E, puxa, você passa um tempão sem dar as caras aqui e, quando dá, o faz num post tão xoxo. Não que as coisas estejam muito melhores nos outros, de qualquer forma…)

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