Deôntico

2011 foi um ano histórico para o Corinthians: a construção de um estádio próprio foi anunciada quase simultaneamente à classificação para a derradeira libertadores, da qual se sagraria campeão invicto no ano seguinte.

Não era um copo cheio, porém. Os pessimistas – os que aguçam o olho para o invisível – ousaram lembrar que o clube que antes liderou um histórico movimento democrático, agora campeão, já não dava mais aulas de espírito cívico. Au contraire. Parcerias estranhas (e quem falou contra Kia Joorabchian, quando ele trouxe Carlitos Tevez para o ataque do alvinegro?), corrupção etc. Os imbróglios não pagam a dor de pesquisá-los a fundo. E os jogadores: não que Sócrates um dia tenha sido a regra – Pelé que o diga -, mas há uma certa tristeza (nostálgica, é verdade), de um tempo onde jogador de futebol e acefalia não eram sinônimos quase perfeitos (Paulo André, o pintor francofalante e jazzófilo, que me perdoe; a inteligência socrática é mais do que isso: afiada).

Vencemos a América, e nosso estádio será visto por todo o mundo. Teria sido ainda melhor sem os pactos fáusticos, mas sabe-se lá se se pode vencer sem vender-se ao diabo.

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