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Citação

Em memória de meu pai, transcrevo suas palavras: ‘e, circunstancialmente, entre posturas mais urgentes, cada um deve sentar-se num banco, plantar bem um dos pés no chão, curvar a espinha, fincar o cotovelo do braço no joelho, e, depois, na altura do queixo, apoiar a cabeça no dorso da mão, e com olhos amenos assistir ao movimento do sol e das chuvas e dos ventos, e com os mesmos olhos amenos assistir à manipulação misteriosa de outras ferramentas que o tempo habilmente emprega em suas transformações, não questionando jamais sobre seus desígnios insondáveis, sinuosos, como não se questionam nos puros planos das planícies as trilhas tortuosas debaixo dos cascos, traçadas nos pastos pelos rebanhos: que o gado sempre vai ao poço.‘”

(Raduan Nassar; Lavoura Arcaica)

En fait je n’étais pas capable de formuler mon expérience, mais, après coup, je ressentais qu’elle pouvait correspondre à des questions comme: ‘Que suis-je?’ ‘Pourquoi suis-je ici?’ ‘Qu’est-ce que c’est que ce monde dans lequel je suis?’ J’éprouvais un sentiment d’étrangeté, l’étonnement et l’émerveillement d’être là. En même temps, j’avais le sentiment d’être immergé dans le monde, d’en faire partie, le monde s’étendant depuis le plus petit brin d’herbe jusqu’aux étoiles. Ce monde m’était présent, intensément présent. Bien plus tard, je devais découvrir que cette prise de conscience de mon immersion dans le monde, cette impression d’appartenance au Tout, était ce que Romain Rolland a appelé le ‘sentiment océanique’. Je crois que je suis philosophe cette temps-là, si l’on entend par philosophie cette conscience de l’existence, de l’être-au-monde.
[…]

J’ai commencé à percevoir le monde d’une manière nouvelle. Le ciel, les nuages, les étoiles, les ‘soirs du monde’, comme je me disais à moi-même, me fascinaient. Mettant le dos sur l’appui de la fenêtre, je regardais vers le ciel la nuit, en ayant l’impression de me plonger dans l’immensité étoilée. Cette expérience a dominé toute ma vie. […] Tout d’abord, cette expérience a été pour moi la découverte de quelque chose d’émouvant et de fascinant qui n’était absolument pas lié à la foi chrétienne. Elle a donc joué un rôle important dans mon évolution intérieure. Par ailleurs, elle a fortement influencé ma conception de la philosophie: j’ai toujours considéré la philosophie comme une transformation de la perception du monde.

(Pierre Hadot, La Philosophie comme manière de vivre.)

“Yo vi la historia totalmente al revés. Yo vi en el minotauro al poeta, al hombre libre, al hombre diferente al que la sociedad, el sistema encierra inmediatamente. A veces los mete en clínicas psiquiátricas y, a veces, los mete en laberintos. En ese caso era un laberinto. Teseo, en cambio, es el perfecto defensor del orden. Entra en el laberinto para hacerle el juego a Minos, al rey, es un poco el gangster del rey que va allí a matar al poeta.”

(Cortázar, J.)

Mario: Remember the Mario you love? Well, this isn’t him. This is Newt Gingrich incarnate. He can’t be trusted. He is among the privileged, and I could swear that he cheats. He campaigns as a Washington outsider against the “elite,” although he has been on Freddie Mac’s payroll since he resigned as Speaker in 1999, during which time its stock price plummeted from $100 a share to around 0.20 cents.

A citação é de Occupy Fortune Street, artigo divertido da KillScreen Magazine.

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


(Vinícius de Moraes)

Tal é o poder da loucura: enunciar esse segredo insensato do homem, segundo o qual o ponto último de sua queda é sua primeira manhã, que sua noite termina na mais jovem luz, que nela o fim é recomeço.”

(FOUCAULT, M.; História da Loucura)