Saiu nos cinemas o remake 3D caça-níquel de Titanic, filme de 1997 de James Cameron (Avatar etc.). A considerar que o filme não tem 15 anos, isso poderia suscitar reflexões sobre a efemeridade e falta de criatividade da indústria de cinema, pensamento reforçado por outro remake – dessa vez, uma refilmagem -, o de Homem Aranha, filme de 2002, cuja nova versão está programada para 2012. De qualquer forma, isso pouco importa, já que o sentido desse humilde post é outro: provar que há vida amorosa inteligente fora do círculo de grandiosidade exagerada, de melodrama desproporcional que, aliás, caracteriza o que há de pior na rica vida cultural norte-americana. Faço o esforço, então, de lembrar 5 filmes diferentes que falam desse tema que surgiu com o homem e, parece-me, que continuará como uma de nossas principais obsessões até nossa inevitável extinção. É bom lembrar, no entanto, que a lista não tem pretensões de ir além de uma mera idiossincrasia arbitrária, ditada pela memória parca e pelas forças circunstanciais do momento em que a escrevi. Vale lembrar, também, que ela não está organizada em uma ordem de melhores\piores.

Breaking the Waves – Lars von Trier

De 1996, Breaking the Waves, de autoria do dinamarquês por trás do manifesto Dogma 95, tem praticamente todos os aspectos que fizeram famosa a câmera de Lars: a crueldade, a câmera segurada na mão, aflitiva e pessoal, os temas fortes e marcados por algum sentimento de religiosidade\espiritualidade. Não obstante ter sido vencedor do prêmio de Cannes e classificado por Roger Ebert como um dos melhores filmes da década, o filme não é dos mais assistidos e comentados do diretor.

A história, simples, conta a história do amor entre uma provinciana vista como ingênua e um rude marinheiro, que acaba acidentado. O filme retrata a descoberta e consolidação do amor entre os dois, mas se foca na manutenção do enlace até mesmo depois do trágico incidente que deixa gravemente debilitado o marinheiro. Há uma forte noção de amor cristão e uma discussão ética acerca do que seja o bem, mas, acima de tudo, é um quadro singelo e trágico que retrata o Amor, enaltecendo o sacrifício pessoal.

Tous les Matins du Monde – Alain Corneau

De 1991, do francês Alain Corneau, estrelando Gerard Depardieu, o filme aborda a vida do compositor do final do século XVII\início do XVIII, Marin Marais e seu mentor, Monsieur de Sainte-Colombe. A história, preenchida por belas imagens, músicas, silêncios e olhares, gira em torno da relação entre os dois; dos dois com a música e, por último, mas não menos importante, dos dois com o belo sexo. No caso de Sainte-Colombe, o foco se dá na elaboração do luto após a morte do amor de sua vida: sua mulher, amor ligado a uma firme fé religiosa, uma rigorosa e severa rotina e uma devoção à música. No outro lado, o de Marin Marais, a história gira em torno de sua relação com as filhas de Sainte-Colombe, e, evidentemente, também aparece no sentido inverso: o amor das filhas pelo jovem e talentoso músico.

Mogari no Mori – Naomi Kawase

Mogari no Mori é um nome japonês que significa, literalmente, “Floresta dos Lamentos”. Lembro-me de ter anotado em um caderno, depois de ver o filme: “o ocidente precisa aprender a escutar o silêncio”. Não me lembro, agora, se a frase em questão foi algo em que pensei enquanto assistia ou simplesmente a fala de algum personagem. Talvez tenha sido até uma mistura dos dois. O que importa é que o mote – o silêncio -, acompanhado das belas imagens e da rica expressão corporal dos atores, algo que é tão comum no cinema oriental, é o meio pelo qual o filme pode ser apreendido. A história em questão trata do encontro fortuito de duas personagens: uma enfermeira que trabalha o luto pela súbita morte do filho e um velho senhor, internado no asilo isolado em que ela vai trabalhar, que há 30 anos sofre a morte da esposa. A dor em comum permite um contato não verbal entre os personagens, um entendimento e consentimento mútuos que os conduz a um caminho de revisitação e elaboração de um passado que insiste em se apresentar como fantasma, impossibilitando o presente e futuro. Em seus 97 minutos e pouquíssimos diálogos e a prova viva de que, muitas vezes, conforme nos contava Gottfried Leibniz, menos é mais.

Eternal Sunshine of the Spotless Mind – Michel Gondry

“How happy is the blameless vestal’s lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray’r accepted, and each wish resign’d;
Labour and rest, that equal periods keep;
“Obedient slumbers that can wake and weep;”
Desires compos’d, affections ever ev’n,
Tears that delight, and sighs that waft to Heav’n.”

Alexander Pope, parte de “Eloisa to Abelard”.

E se você pudesse apagar aquelas memórias ruins, que insistem em nos paralisar em um passado que não existe, impedindo-nos de vislumbrar um futuro melhor? Animada por essa pergunta, com título emprestado do poema de Pope que narra a história do filósofo e teólogo Abelardo e seu impossível amor por Eloísa, o filme de Gondry é um divertido, sombrio e reflexivo experimento mental sobre o tema. Após um relacionamento que naufragou, Joel Barish (Jim Carrey) descobre que sua ex-namorada passou por um procedimento que o apagou de suas lembranças e, então, decide fazer o mesmo. No entanto, no último momento, Joel percebe que aquelas lembranças eram parte de seu Eu e que, sem elas, sua vida estaria irrecuperavelmente fragmentada. Tenta a todo custo guardar alguma lembrança, algo que evocasse a antiga amada. É por obra do acaso – e de alguma sensibilidade e força do destino maiores – que os dois voltam a se encontrar e acabam, juntos, redescobrindo o que até então parecia perdido. O filme trata não só da relação amorosa em si, mas também de uma concepção filosófica da memória enquanto constituinte do sujeito e do papel das más lembranças em nós.

A Single Man – Tom Ford

A Single Man – cuja a sofrível tradução oficial para o português é “Direito de Amar” – se passa em um único dia. Como na canção de Chico Buarque, basta um dia para reconstruir toda a história, fazer “desatar a fantasia” de George (Colin Firth), depressivo professor universitário homossexual que se depara com a súbita morte de seu parceiro Jim (Matthew Goode). O acontecimento repentino e inesperado destrói o já instável ânimo do professor, que é forçado a rever sua trajetória e seu relacionamento, visitando problemas cruciais como a falta de aceitação: George não pode comparecer ao enterro de Jim.

Tentado ao suicídio, encarnando o verso de Auden – “For nothing now can ever come to any good.” (Funeral Blues) – George visita lugares e reminiscências, conseguindo enxergar, através do véu cinzento que se irrompeu em sua visão, a cor pulsante da vida, que aparece literalmente, como recurso visual pulsante em algumas cenas do filme. A história termina e ficamos com um gosto agridoce na boca, algo como outro verso, esse de Drummond,

Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!

Considerações finais:

Escrevendo essa lista percebi algumas coisas. Em especial, que os filmes tratam, sobretudo, sobre a perda. Consigo imaginar dois motivos para que assim o seja. O primeiro, que eu, saturnino por excelência, tenha alguma tara mórbida por esse tipo de filme. O segundo, que acho mais provável, é que para bem refletir sobre o tema somos obrigados a nos ver, em situação extrema, privados do objeto amado. Só assim podemos realmente analisar o que significa o objeto, por ver claramente o que sua subtração implica em nossas vidas. Muitas vezes, tal a confusão dos corpos e almas dos amantes, a subtração implica mesmo na morte. Reforça a tese platônica, expressa n’O Banquete, onde se lê:

Que quereis, ó homens, ter um do outro?, e se, diante do seu embaraço, de novo lhes perguntasse: Porventura é isso que desejais, ficardes no mesmo lugar o mais possível um para o outro, de modo que nem de noite nem de dia vos separeis um do outro? Pois se é isso que desejais, quero fundir-vos e forjar-vos numa mesma pessoa, de modo que de dois vos torneis um só e, enquanto viverdes, como uma só pessoa, possais viver ambos em comum, e depois que morrerdes, lá no Hades, em vez de dois ser um só, mortos os dois numa morte comum; mas vede se é isso o vosso amor, e se vos contentais se conseguirdes isso.” Depois de ouvir essas palavras, sabemos que nem um só diria que não, ou demostraria querer outra coisa, mas simplesmente pensaria ter ouvido o que há muito estava desejando, sim, unir-se e confundir-se com o amado e de dois ficarem um só.

Espero que ela goste. 🙂

Talvez uma das maiores fontes da incompreensão entre os homens seja a má fé. A má fé é o olhar que já se dirige ao objeto de estudo injuriado; é o olhar analítico que lê Heidegger avidamente buscando falácias, incongruências, mas também é o olhar “continental” (a terminologia é péssima, mas serve) que passa por cima de todos os trabalhos fora de sua tradição com justificativas infundadas, desinformadas e generalizadas. No caso da filosofia, talvez houvessem mais encontros caso a boa vontade fosse maior. Na interpretação de Rorty:

Um dos fatos notáveis sobre a filosofia ocidental contemporânea é que os filósofos não-anglófonos não lêem muita filosofia anglófona, e vice-versa. E nem tampouco temos muitos indícios de que uma ponte ligando a chamada ‘filosofia analítica’ à chamada ‘filosofia continental’ esteja sendo construída. Eu lamento isso, pois acredito que o trabalho mais interessante que vem sendo feito nas duas tradições apresenta consideráveis interseções.” (Um Mundo sem Substâncias; p.55)

O problema da má vontade é turvar essas interseções, dirigindo o olhar só para os desencontros. Até aí, dois filósofos, não importa a tradição, apresentaram um número razoável dos dois: encontros e desavenças.

Assim, leio a crítica de “What’s the Use of Truth?“, edição do debate entre Rorty e o filósofo analítico francês (sim, eles existem também na terra de Derrida) Pascal Engels. De modo algum direi que a crítica de Rui Daniel Cunha, o filósofo português, é um exemplo da “má fé”, mas me parece cometer um erro fundamental que seria facilmente generalizado e tomado como exemplo de que, enfim, Rorty sucumbira ao “vale tudo” da irracionalidade francesa. Cunha cita um trecho de uma fala de Rorty, que segue:

rejeição da ideia de que alguns tipos de discurso, algumas partes da cultura, estão em contacto mais próximo com o mundo, ou se ajustam melhor ao mundo, do que outros tipos de discurso. Se se abandona esta ideia, então considera-se cada discurso — crítica literária, história, física, química, jargão de canalizador — como estando ao mesmo nível no que toca à relação com a realidade” (p. 36 ).”

Depois, acrescenta:

Esta tese de Rorty é francamente discutível: não será a ciência, por exemplo, uma descrição superior da realidade em comparação com a astrologia ou o tarot? Mas Rorty insiste e considera mesmo que o que o separa de Pascal Engel é justamente a questão de saber se certas áreas da investigação atingem um tal conhecimento mais adequado da realidade ou não: Engel acha que sim, Rorty defende que não.

O exemplo escolhido é péssimo porque não atenta ao verdadeiro problema da questão, a da conhecimento enquanto correspondência ou ferramenta. A tese de Rorty, que não se pretende discutida nos termos de seus adversários – ou seja, de representação – vêm em auxílio para a dissolução de uma divisão binária do conhecimento: aquele que falaria das “coisas que existem”, como átomos, e aquele que falaria de coisas imateriais, como a ética e a crítica literária. Se a preocupação maior for a representação, é evidente que ética e crítica não tem poder algum, a não ser que se acredite em uma Crítica e uma Ética inscritas e ocultas no mundo, a serem estudadas pelo credo científico. Não sendo o caso, a proposição de Rorty nos faz olhar por outro ângulo, vendo tanto a ética quanto a mecânica como ferramentas que servem diferentes propósitos; irredutíveis e inconciliáveis. Portanto, retornando ao argumento de Rui Daniel, não se trata de concorrentes diretos, cujo objeto é parecido, como a alquimia e a química; mas do reconhecimento de linguagens díspares para objetos díspares. Grande parte do problema às críticas do relativismo é que elas se fundam em uma ideia vaga e imprecisa do que seja relativismo: como se então “tudo desse na mesma”. Não dá. Tanto Rorty quanto Kuhn sofreram com um tipo de crítica que nem lhes dizia respeito: a de que não reconheciam os refinamentos nas ciências, seu pode óbvio, evidente. Mas, nesse sentido, o progresso, para Rorty, é facilmente mensurável: trata-se de decidir qual linguagem serve melhor a algum fim, qual linguagem é mais útil. Nesse caso, é possível visualizar que a noção de Progresso ou de melhoria não depende da noção de Verdade.

P.S.: O artigo termina com uma conclusão da ineficiência de Rorty em diluir os debates epistemológicos e seus “problemas reais”. Argumenta que, à despeito dos livros de Rorty, Kuhn etc., a discussão continua. A refutação desse argumento está no próprio texto, na comparação do autor entre ciência e tarô. Ele afirma que a ciência tem uma posição privilegiada em relação ao tarô no que diz respeito à Verdade. No argumento final, dá a entender que, caso Rorty estivesse correto, então todos teriam enxergado “clara e distintamente” o problema dos debates epistemológicos, que teriam cessado. Ora, se fosse assim, e se tarô e ciência estivessem ligados da forma sugerida, então também o tarô deveria ter esvanecido. O que, como sabemos, não acontece.

Ouvir um quarteto de Beethoven não difere muito de buscar orquídeas selvagens: é uma forma de prazer fútil e sem sentido prático. É o tipo de atividade que dá sentido para a vida.

Mario: Remember the Mario you love? Well, this isn’t him. This is Newt Gingrich incarnate. He can’t be trusted. He is among the privileged, and I could swear that he cheats. He campaigns as a Washington outsider against the “elite,” although he has been on Freddie Mac’s payroll since he resigned as Speaker in 1999, during which time its stock price plummeted from $100 a share to around 0.20 cents.

A citação é de Occupy Fortune Street, artigo divertido da KillScreen Magazine.

A folha branca, dirão algum dia os físicos, gera um campo gravitacional próprio. Ou melhor, há um magnetismo, uma atração seletiva; é, isso: não é qualquer globo ocular ou mão que treme e se agita frente ao espaço branco, virtual ou não. Só aqueles com a marca na testa entenderiam o chamado, na linguagem de alguma saga.

O chamado. O escolhido não escolhe – daí o nome -, nem pode recusá-lo. A sensibilidade ao branco do papel, essa maldição, não se cura nem sublima. Ela persiste. E, ao contrário do que podem pensar, não é ele que procurou a folha, em primeiro lugar; mas o inverso: ela que o encontrou em sonho, visão, acaso. A partir daí, sua vida se transformou em inferno; como o paranoico que vê signos em tudo, ainda que tentasse fugir, o que escolhia via o insuportável vazio por onde quer que andasse. Até mesmo dentro de si, dizem.

Mas como condição especial, maldição, não pode ser contraída apenas pela vontade. Os que tentam acabam percebendo que o fazem por alguma vontade interna, por desejo de ser como o escolhido em algum aspecto. Não dá certo: eventualmente, atribulados em meio a outras coisas, os que apenas tentam preencher as lacunas brancas do mundo acabam esquecendo a secreta linguagem de decifrá-las em qualquer lugar. Abandonam a atividade ao esquecimento.

Mas os autênticos, esses permaneciam. Através dos séculos, a insônia e a loucura os dominavam. Convulsos, por mais que tentassem, não conseguiam abandonar a inglória tarefa de construir mundos no vácuo dos espaços brancos.

Nosso tempo foi aquele onde a figura do sábio – o que leva a vida de modo superior, envolvido em uma certa aura de misterio e respeitabilidade, cujo conhecimento vincula-se, diretamente, à vida – foi substituída por outra: a do gênio. O sábio atravessa uma longa jornada para, ao fim da vida, atingir seu potencial (embora figuras que se encaixem no tipo, como Siddhartha Gautama e Jesus, façam exceção à regra); já o gênio é o vencedor de uma loteria genética. Nasce com um dom muito agudo e, sem nunca conseguir dominá-lo, dificilmente se torna algo a ser seguido: muitos sucumbem em meio ao turbilhão da vida. Muitas vezes, os gênios sequer se importam com seu dom ou com seu uso; outras, o gênio é de tal modo consumido por sua habilidade que se cega para as outras. Exemplos não faltam, seja no mundo da ficção, seja no mundo real; de Ted Kazinsky, o Unabomber, a John F. Nash, o matemático que inspirou A Beautiful Mind.

Good Will Hunting, dirigido por Gus Van Sant e atuado por, entre outros, Matt Damon e Robin Williams, é outro que se debruça sobre o tema. No filme, Will Hunting é um órfão pobre que mora sozinho em um barraco e ganha a vida como faxineiro no MIT (Massachusetts Institute of Technology). Além disso, ele é um gênio. O que fica evidente para todos quando um grande professor de matemática, ganhador da medalha Field, coloca um desafio no corredor, para ser resolvido durante o semestre; Will escreve a solução no dia seguinte. Não se apresenta, no entanto, e só é efetivamente descoberto ao ser pego no ato, enquanto resolvia um segundo desafio, ainda mais difícil, proposto pelo professor. Paralelamente, Will está em julgamento por se envolver em uma briga de rua. Preso, consegue sair sob os cuidados do professor, contanto que siga duas recomendações: trabalhe com ele e consulte psicólogos. A tensão essencial do filme é os anseios do gênio que parece não se preocupar com a pompa e a vaidade acadêmica, jogando seu talento no lixo, na interpretação do professor. Robin Williams, um homem simples, ex-combatente e psicólogo, será o ponto de conflito que permitirá a abertura do gênio. Por trás de uma inteligência brilhante, quase sobrenatural, haviam problemas tão comuns a qualquer outro de sua idade, sobretudo de classes mais pobres. Constatar isso é voltar ao problema do gênio e do sábio: tecnicamente, o sábio superou esses problemas; o sábio possui a chave da “boa vida”, da vida feliz. A filosofia do sábio é apenas um caminho para o bem viver. Já o gênio, como retratado no filme, não tem solução especial para o problema da vida, sofre dos mesmos males que os outros, comete os mesmos erros. O gênio, enfim, é mais humano; o sábio remete à divindade. No filme, o polo oposto – a sabedoria mediadora – é preenchido pelo psicólogo. Ele não é especialmente brilhante, leu muitos livros, mas não se destacou suficientemente para alcançar a cátedra de uma grande universidade; e, no entanto, só ele consegue falar ao jovem gênio: é que sua sabedoria corre diretamente das fontes da vida. O sábio, enfim, incorpora o velho dito popular: “antes viver, depois filosofar.”

P.S. O pecado maior cometido pelo filme – que, insisto, é bom – está na personalidade de Will: ele, em alguns momentos, mostra muito mais do que genialidade, mostra uma grande erudição. Esse traço diminui a coerência de seu personagem: parece pouco provável que alguém que trabalhasse todo expediente e passasse as noites envolvido em bebedeiras e brigas tivesse tempo hábil para saber e ter lido tudo o que ele comenta. O erro foi ter confundido, justamente, a genialidade com a sabedoria, vista como erudição, no caso.